Por Fazer

Sobre o benefício da leitura diária

A leitura reaviva a memória e nos coloca a par do desconhecido. – Orlando R. Almeida

Uma coisa que sempre me irritou foi o fato de que o tempo não nos faz esquecer apenas as coisas ruins, mas também as coisas boas e algumas importantes. Quando tento me lembrar da pessoa que era há 5 anos, vejo muitas diferenças na forma de pensar e agir, e muitos dos hábitos que eu tinha acabaram se perdendo. Um deles era o hábito de ler livros todo dia. Não me refiro a livros técnicos como os que somos obrigados a ler no colégio e na faculdade, mas livros que contam histórias de pessoas reais ou fictícias lidando com situações e lugares onde muitas vezes nunca sonharíamos estar.

Eu conheci e comecei a jogar RPG ainda no ensino fundamental, e os cenários de Fantasia Medieval me inspiraram fortemente a gostar de História e Mitologia no Ensino Médio, e por causa disso desde cedo me tornei um fã de ficção científica. Já ouvi muitas pessoas argumentarem que ficção não tem utilidade, especialmente quando se passa em lugares e situações que não existiram na História ou no nosso planeta. É óbvio que essa é uma opinião bem ignorante, e para mostrar o motivo deixo um parágrafo que li e me chamou bastante atenção, pois resume aquilo que a ficção e a literatura mais representam:

Eu estava na China em 2007 na primeira convenção de ficção e fantasia aprovados pelo partido na história chinesa. Ficção científica havia sido proibida há muito tempo. Em algum momento, chamei um oficial de lado e perguntei a ele o que havia mudado. “É simples”, ele respondeu. “Os chineses sempre foram brilhantes em fazer coisas desde que os outros trouxessem os planos. Mas eles não costumam inovar ou inventar. Eles não imaginam. Então uma delegação foi enviada aos Estados Unidos para visitar empresas como Apple, Microsoft e Google, e perguntar às pessoas de lá que estavam inventando o futuro. Eles descobriram que todas elas haviam lido ficção científica quando eram meninos ou meninas.” – Texto completo.

A literatura também pode – assim como muitas obras que contam histórias – nos levar a pensar e a deixar certas opiniões chauvinistas de lado. Quando você vê o mundo a partir do ponto de vista de um personagem diferente, você deixa de lado suas próprias convicções e, se o autor fizer um bom trabalho, passa a absorver o ponto de vista daqueles personagens envolvidos na trama.

Alguém certa vez já disse que a fonte de todos os males da humanidade é a falta de entendimento: quando um lado não compreende o outro e, mesmo que ambos queiram a mesma coisa, passam a considerar-se inimigos e a tentar destruir um ao outro. Vemos isso em guerras, na política, no racismo, xenofobia etc.

Nesse aspecto, os livros são o meio mais eficaz de se combater a ignorância e entender o outro lado, entender a vida de outras pessoas e questionar as próprias certezas. Foi por causa disso que eu criei minha “hora de leitura diária”, para tentar finalizar os livros que tenho na minha lista de leitura. Percebi que isso não toma muito tempo (é impressionante como boa parte do nosso tempo é gasta sem fazer nada) e traz incontáveis benefícios: tanto em relação à experiência e reflexão como em relação ao prazer de realmente finalizar algo. No momento em que terminei de usar essa técnica temporária para terminar um dos livros que eu havia ganhado, eu estava convencido de que queria começar o próximo.

E, claro, há livros que não são exatamente técnicos mas que ensinam sobre ciência ou outros conhecimentos importantíssimos (como Economia, História, Filosofia etc.) de forma cativante. Apenas lembre-se de que a diferença entre você e as pessoas mais bem-sucedidas do que você é que elas possuem mais conhecimento. E você pode conseguir mais conhecimento apenas lendo as coisas certas.

Portanto meu conselho para você que está lendo isso é que dedique apenas uma hora hoje para ler aquele livro que está na sua estante há um bom tempo e que você sempre repete para si mesmo(a) que “um dia vai lê-lo”. Pode ser que aquele livro acabe por mudar a sua vida.